ONG recebe R$ 1,2 mi para obra no Lixão (clique para ver o .pdf)
Considerações
Nunca antes eu havia comentado aqui como foi fazer essa ou aquela matéria. Porém acredito que a partir da experiência que tive no Lixão de Campo Grande acredito que é válido expor algumas coisas que não estavam na matéria, são pontos de vista pessoais.
Eu nunca havia entrado em um lixão, na verdade imaginava que uma cidade, capital de Estado, teria no mínimo um aterro sanitário. Estava enganado. Campo Grande possuí um Lixão! E um enorme lixão. De carro leva-se 15 minutos para ir de uma ponta a outra em meio às montanhas de lixo.
E do alto das montanhas de lixo é possível ver as pessoas que vivem daquilo que jogamos no lixo. Na maioria são homens adultos. Mas há também muitas mulheres, algumas já com idade avançada adolescentes e algumas crianças que acompanham os pais.
Porém, o mais preocupante foi ver crianças e adolescentes que começam frenquentar o Lixão por não terem onde ficar enquanto os pais “trabalham” e os acompanham até lá. No início, pelo menos com as que pude conversar, alegam que vão para brincar. E é verdade, brincam! Procuram brinquedos e encontram. Porém passados alguns dias elas começam a trabalhar para batalhar algum dinheiro e reforçar o orçamento da casa.
Na entrada do lixão há apenas uma placa que havia ser proibido a presença de crianças e adolescentes por lá. O que não se vê lá dentro.
Também visitei os barracos onde algumas dessas pessoas vivem, ou tentam viver. Não há luz, não há água, não há banheiro. Não há vida. Apenas olhares perdidos e sedentos por um pouco de esperança. E nos últimos dias o número de barracos aumentou com a promessa da prefeitura de retirar os moradores de lá e os colocarem em casas do programa “Minha Casa Minha Vida”. Não é difícil encontrar relatos de pessoas que foram para lá no intuito de ganhar uma casa do governo.
E a prefeitura ainda diz que não há favelas em Campo Grande. De Grande mesmo só a hipocrisia e os olhos fechados desse governo que não quer ver aquilo que fede, e muito, nessa cidade. E não é modo de dizer, o cheio do Lixão pode ser sentido a quilometros de distância.